Aumento da Selic: veja por que o mercado de crédito privado se beneficia

22/03/2021

Autor:

Júlia Nascimento

Após seis anos de um ciclo de cortes, a taxa de juros brasileira, a Selic, voltou a subir. A expectativa do mercado financeiro é de que o primeiro aumento marque o início do ciclo de alta, já que o Banco Central (BACEN) avalia que há espaço para a redução do estímulo monetário.

Neste artigo, você entenderá por que o BACEN está indicando o ciclo de alta, como o mercado financeiro está absorvendo o movimento e os fatores que fazem com que o segmento de renda fixa, mais especificamente o crédito privado, se beneficie do aumento da taxa Selic. Boa leitura!

Veja por que a taxa de juros inicia um ciclo de alta

Em meados de 2020, o Comitê de Política Monetária (Copom) fixou a taxa de juros em 2% a.a, o menor patamar da história. A tentativa era estimular o consumo interno, visto que a economia atravessava um momento delicado em função da pandemia do Coronavírus. Passados oito meses, o Banco Central, em nota, indicou a virada do ciclo para um movimento de alta da taxa. 

Para Rodrigo Dias, CEO da Butiá Investimentos, o aumento da Selic é positivo para o mercado financeiro. “Achávamos que a taxa estava incondizente com o cenário que temos visto desde o último trimestre do ano passado. Está voltando a uma normalização e precisamos observar qual será o ritmo dessa normalização. Na nota do Banco Central já foi sinalizada mais uma alta de 0,75%”.

O CEO entende que o Banco Central se viu obrigado a aumentar a taxa por um desconforto com o câmbio atual e por conta de uma preocupação com os efeitos secundários — a possibilidade da inflação aumentar de forma generalizada para outros bens e serviços. A seguir, entenda esses e outros fatores que motivaram o início do ciclo de aumento da taxa de juros.

Incerteza fiscal

O Brasil vem enfrentando um cenário de incerteza fiscal já há algum tempo. Há uma preocupação com relação aos gastos do Governo Federal, que atingiram cerca de R$509 bilhões no combate à pandemia em 2020, e as contrapartidas para financiá-los. O Governo tem entraves no aumento de arrecadação e vem anunciando medidas que podem comprometer as contas públicas, o que reflete diretamente no risco país.

Um desses fatores é a nova rodada do auxílio emergencial que foi aprovada no Congresso Nacional. Muito se discute a respeito das contrapartidas para sustentar os gastos adicionais mas, sem definição, ainda há muita incerteza sobre o cenário fiscal.

“Essa imprecisão se reflete diretamente no câmbio e nos juros longos, porque o risco país aumentou consideravelmente e não temos mais espaço fiscal para dar um choque positivo na economia”, avalia o CEO da Butiá Investimentos.

Falta de recursos para estimular a economia

Em 2020, o Brasil foi um dos países que mais injetou recursos na economia em relação ao PIB, mas iniciamos o ano de 2021 ainda discutindo a pandemia. Vivemos uma segunda onda mais forte do que a primeira e hoje não há mais a mesma capacidade de estimular a economia do ponto de vista fiscal. 

Inflação de curto prazo

A inflação de curto prazo, principalmente ocasionada pelo preço das commodities, como combustíveis e alimentos, internamente está se mantendo por um tempo mais longo do que o BACEN esperava, isso provocou um certo incômodo.

Taxa de câmbio desconfortável

“Outro ponto que o mercado comenta é um desconforto com o nível da taxa de câmbio – o nível de desvalorização do Real, de fato, está preocupante. Ao comparar com os países pares, o Brasil tem a pior performance de moeda, o que também é ocasionado pela incerteza fiscal”, comenta Dias. 

Segundo o portal de notícias da CNN Brasil, a desvalorização do Real em 2020 só foi menor do que a da moeda da Venezuela e da Zâmbia:

  • Real perdeu 28,25% do valor;
  • Kwacha zambiano caiu 29,8%;
  • Bolívar venezuelano cedeu 90%.

Entenda como o mercado de crédito privado se valoriza com a alta da Selic

O crédito privado é uma das classes de ativos que compõem a renda fixa. Nesse segmento, o CDI é um dos índices mais utilizados para indexação, assim como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

Segundo Eduardo Lobo, gestor dos fundos de crédito privado da Butiá Investimentos, a alta da Selic pode ser favorável para os ativos que são indexados pelos dois índices mencionados. Ambos deverão apresentar um carrego maior, seja pelo aumento do CDI ou pelo aumento dos juros reais (diferença entre a taxa de juros domésticos e a inflação, medida pelo IPCA).

“No Brasil, os ativos de renda fixa têm formas distintas de remuneração: podem ser pré-fixados, baseados no CDI ou no IPCA, além de atrelados a outros indicadores. No caso de títulos de crédito privado, ainda existem os spreads, que são os juros pagos pelas empresas acima da taxa de referência que o Governo oferece. Essas remunerações são sensíveis à atual taxa de juros básica da economia brasileira”, explica.

CDI

“Para um ativo que é indexado ao CDI, vale a regra: se a taxa de juros aumenta, a parte da remuneração desse título atrelada ao CDI também sobe, fazendo com que o investidor do mercado de crédito privado consiga uma rentabilidade maior. O rendimento nominal do ativo, correspondente ao CDI+spread ou percentual do índice, tem efeito imediato e positivo com o aumento da Selic”, aponta Eduardo. 

Vale ressaltar que o CDI é a taxa que os bancos realizam entre si as operações de depósitos, também conhecido como interbancário. A taxa do CDI tem como característica acompanhar de perto a variação da taxa Selic.

São exemplos de fundos que alocam em ativos indexados ao CDI o Butiá TOP Crédito Privado FIC FIRF e o Butiá TOP Icatu Seg Previdência FIRF CP. O primeiro, tem como objetivo ser um fundo com baixo risco de crédito e que busca gerar ganhos sobre o CDI. Já o TOP Icatu, busca ser uma reserva de aposentadoria em um instrumento conservador que conta com deduções no imposto de renda.

IPCA

Um exemplo de título indexado ao IPCA são as debêntures incentivadas, que são emitidos por empresas de segmentos de infraestrutura que buscam captar recursos para financiar seus projetos. 

“Quando olhamos para as debêntures incentivadas também acreditamos em um reflexo positivo. O mercado entende que a Selic a 2%, antes do aumento da taxa, era um percentual baixo para a economia. É um valor para estimular o consumo”, avalia Eduardo.

O gestor ainda esclarece que a taxa básica de juros é o principal mecanismo que o Banco Central tem para atuar sobre a inflação, medida pelo IPCA. À medida que a expectativa de inflação chegava próximo ao teto da meta estabelecida pelo BACEN, o mercado entendeu que a Selic deveria subir, o que, junto com as questões fiscais que fazem parte do cenário doméstico, pressionava a curva de juros futuros para uma maior inclinação.

Eduardo ainda explica que a precificação de um ativo atrelado ao IPCA é sensível aos movimentos da curva de juros. Quando o BACEN determina o movimento de subida dos juros básicos, retira também a pressão de subida da taxa no futuro, fazendo com que a curva tenda a perder inclinação. 

Isso faz com que a precificação dos títulos que são expostos à curva de juros, como as debêntures incentivadas e demais ativos indexados ao IPCA, sofram aumento nos seus preços, ou seja, uma valorização. 

“Além disso, o aumento da Selic deve levar a um aumento da taxa de juros reais, aumentando também o carrego dos ativos que têm parte de sua remuneração atrelada ao IPCA”, reforça o gestor.

O Butiá Debêntures FI-INFRA RF LP é um fundo dedicado às debêntures incentivadas, indexado ao IPCA. Ele busca superar o índice mais juros reais, com o benefício da isenção do imposto de renda.

Neste artigo, você pôde ver quais foram os fatores que influenciaram o aumento da taxa Selic e também entendeu que trata-se do início de um ciclo de alta. Além disso, gestores deram suas visões de como esse fator impacta o mercado financeiro e, especificamente, o mercado de crédito privado. Por fim, entendeu a diferença entre os benefícios que poderão ser apresentados pelo CDI e pelo IPCA.

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