Comunicado Butiá sobre a nova alta da taxa Selic

17/06/2021

Autor:

Júlia Nascimento

Por Lucas Queiroz, gestor dos fundos Multimercado da Butiá Investimentos

Na noite desta quarta-feira (16), o Banco Central do Brasil emitiu comunicado referente à 239ª reunião do Copom. O resultado, novamente uma elevação de 75 pontos-base, veio em linha com as nossas expectativas e as do mercado, visto que o próprio Copom já havia antecipado a manutenção do ritmo. Contudo, o tom adotado no comunicado foi bastante duro e altera significativamente o cenário prospectivo para a taxa de juros. Abaixo destacamos os pontos de maior relevância:

  • No documento, o comitê reconhece o avanço da atividade econômica acima do previsto e passa a minimizar o risco à frente de surpresas negativas nesse front. Ainda, mostrando postura bastante conservadora, reconheceram a melhora nos indicadores de sustentabilidade da dívida, mas mantiveram o risco fiscal na mesma magnitude no balanço de riscos.
  • O comitê nota os avanços da inflação no período e registra a persistência, sobretudo, nos bens industriais.
  • Novamente, ponto de maior relevância no comunicado e que era a grande fonte de incerteza até a tarde de ontem, foi a retirada do termo “ajuste parcial”. Neste ponto, o comitê reviu os entendimentos explicitados até a última reunião, retirando do comunicado a necessidade de se manter estímulos monetários neste momento e também retirando a menção ao mandato dual (preocupação com o desemprego além da inflação).
  • Por fim, voltaram a se comprometer com novo aumento, de mesma magnitude, na próxima reunião (04/08). Entretanto, colocaram a possibilidade de um ajuste mais tempestivo caso se mantenha a deterioração observada nas expectativas de inflação.

Em nosso entendimento, o Copom foi duro, surpreendeu o mercado no tom e rompeu com toda sua tentativa de ajuste gradual que vinha mantendo desde o início do ano. A possibilidade de perder também a batalha contra a inflação de 2022 (a desse ano deve ficar próxima a 6%) pesou no cenário do comitê.

As expectativas de inflação têm se elevado e diante da perspectiva de desancoragem o comitê irá fazer um ajuste completo da política monetária. Agora, o cenário para SELIC se altera para ao redor de 6,5%a.a. em dezembro. Como principal indicador apresentado pelo Copom, a expectativa de inflação divulgada pelo FOCUS ganha ainda mais relevância.

Ainda, o cenário para a moeda local ganha tração, visto que o Brasil já ultrapassa México e África do Sul em nível de taxa de juros em um momento em que nenhum país com economia “organizada” como o Brasil tem visto um Banco Central com postura semelhante ao brasileiro.