Abril 2021 – Carta Multimercado e Ações

06/05/2021

Escute a carta de Ações comentada

Escute a carta de Multimercado comentada

A redução de incertezas, ainda que substituídas por fatos pouco promissores, permitiram uma mensuração um pouco mais adequada do risco interno em abril. Com um cenário externo de baixa aversão a risco, os ativos domésticos passaram por recuperação. No período, o Ibovespa voltou a apresentar valorização (+1,94%), enquanto o S&P500 apresentou variação de 5,24%, chegando a 11,32% somente nos quatro primeiros meses do ano. Na renda fixa, a menor incerteza e a perspectiva de atuação mais firme do Banco Central neste ano permitiram um desempenho positivo dos vértices intermediários e longos da curva de juros. O IRF-M subiu +0,84% e o IMA-B +0,65%. Nas moedas, o BRL esteve entre as moedas emergentes com melhor rentabilidade, ganhando força contra o USD pela primeira vez no ano (Dólar-PTAX -5,16%).

Cenário Econômico

Os desdobramentos nestes primeiros meses do ano vão dando contorno ao que deve nos esperar na sequência dos próximos trimestres. O ritmo de crescimento nos Estados Unidos segue surpreendendo, assim como foi na divulgação dos dados do mercado de trabalho referente a março, com mais de 900 mil vagas criadas e, na sequência, com o ISM industrial atingindo nível recorde. A intenção do presidente Biden por mais gastos, como no caso do plano de infraestrutura, ajuda a manter no mercado o sentimento de que o país inicia um período de duradouro crescimento, embora valha ponderar que as tratativas políticas por lá nem sempre serão tão fáceis quanto as narrativas de mercado fazem parecer. Por ora, o anúncio do prefeito de Nova York ao final do mês, sobre a reabertura da cidade a partir de julho, empurra as dúvidas para depois e coloca sob nossos olhos a retomada da maior economia em contraposição à grande parte do resto do mundo que ainda engatinha no processo de vacinação.

No Brasil, o IBGE divulgou os dados de fevereiro. Indústria e comércio apresentaram números abaixo do estimado, com destaque negativo vindo da produção de veículos, enquanto a indústria metalúrgica e de máquinas e equipamentos, assim como o comércio de móveis e eletrodomésticos e a própria venda de veículos estiveram no lado das surpresas positivas. O setor de serviços também surpreendeu, avançando 3,7% no período. Os dados mais recentes, no entanto, mostram que há grandes desafios à frente. A confiança, que caiu de forma generalizada em março, fruto das medidas de maior distanciamento social, não se recuperou integralmente em abril e deve seguir dependente da situação sanitária.

A inflação projetada pelo mercado para este ano, por sua vez, convergiu para 5% conforme o Relatório Focus, e em nossa visão teria ainda espaço para subir ao patamar de 5,5%, a se manterem as condições atuais. Com as expectativas para 2022 também acima da meta, o Banco Central pode ser forçado nas próximas reuniões a novamente a revisar seu plano de vôo, que prevê atualmente um ajuste parcial, e passar a mirar um ajuste completo da política monetária mesmo com a economia apresentando elevada ociosidade.

Na política, o imbróglio do orçamento chegou ao fim. Contudo, como era temido desde o início, uma parte dos gastos (montante superior a R$120 bilhões) foi colocada fora da restrição do teto de gastos. A resposta de mercado, no entanto, não foi negativa no período, visto que havia risco, inclusive, de que o próprio teto fosse formalmente colocado para fora, o que afetaria também as perspectivas para a trajetória dos próximos anos das contas públicas. Por fim, em maio, o foco passa a ser a CPI da Covid, que pela composição dos nomes (majoritariamente de oposição ao governo federal) deve ajudar a esquentar novamente o tema da eleição presidencial do próximo ano.

 

PALAVRA DO GESTOR

MULTIMERCADO MACRO

Em abril, o Butiá Excellence FIC FIM obteve retorno de +1,48%, enquanto o Butiá Excellence Previdência FIC FIM apresentou retorno de +1,42%. No acumulado em 12 meses, os fundos apresentaram retornos, respectivamente, de +7,5% e +11,2% enquanto o benchmark (CDI) se valorizou 2,1%.

O mês foi favorável às estratégias que vínhamos carregando e também nas iniciadas no mês anterior. Os principais ganhos vieram dos livros de renda variável doméstica e do livro de juros, com posição vendida em inclinação na parte intermediária da curva de juros e direcional na ponta longa. Em menor grau tivemos ganhos na posição em renda variável internacional, enquanto as perdas ocorreram em posição tomada na curva de juros americana e no livro de moedas.

O cenário formado em abril reforça o receio quanto ao lado fiscal. A baixa disposição ao ajuste das contas públicas pode forçar novamente que um ajuste recessivo recaia sobre o setor privado em caso de continuidade da aversão ao risco local por parte dos investidores estrangeiros. Contudo, a normalização da política monetária e a reabertura gradual da economia seguem como pilares que equilibram o balanço de riscos.

Seguimos com o entendimento de que o nível de preço dos ativos domésticos embute ainda elevado prêmio de risco, justificando as alocações. Dado o movimento de preços ocorrido em abril e a incerteza gerada com o início da CPI da Covid nos fizeram entrar em maio com menor exposição a risco.

 

AÇÕES

BUTIÁ FUNDAMENTAL (LONG ONLY e LONG BIASED):

A alta do mercado, iniciada em março, continuou em abril, quando o Ibovespa subiu 1,9%, praticamente zerando a performance do ano, que agora apresenta uma queda de 0,1%. Superamos o índice em nossos dois fundos de ações, o Butiá Fundamental FIC FIM (Long Only), que rendeu 3,0% no mês, acumulando alta de 2,0% no ano e o Butiá Fundamental FIC FIM (Long Biased), que rendeu 2,0% no mês, acumulando alta de 2,4% no ano.

Ao longo do mês, observamos desenvolvimentos positivos que em nossa opinião ainda não se refletiram completamente nos preços, deixando a alocação em ações mais interessante. Como consequência, estamos novamente com uma visão de assimetria positiva para o mercado acionário, o que se traduz em uma maior exposição líquida em nossos fundos. Os eventos positivos estão ligados ao panorama fiscal brasileiro, aos desdobramentos da pandemia, ao crescimento da nossa economia e dos lucros das empresas.

Conforme explicitado em nossa última carta, uma das condições para o aumento de nossa alocação em ações era a aprovação de um orçamento exequível, com manutenção do teto de gastos. A aprovação do texto atual atenua nossas preocupações fiscais no curto prazo, mas não as elimina, pois, além de deixar espaço para despesas adicionais com saúde e apoio às empresas, o que achamos arriscado, apesar de adequado, também deixa pouco volume de recursos para despesas discricionárias.

Apesar do triste cenário de mortes e de contaminação causados pelo Coronavírus, parece que abril foi o auge da pandemia no Brasil e, ao que tudo indica, a partir de agora os números decairão com razoável velocidade, permitindo um crescente grau de reabertura da economia, paralelamente ao aumento da vacinação. A experiência internacional indica que a reabertura da economia, aliada ao efeito das políticas fiscais e monetárias expansionistas, ao consumo reprimido e à poupança extraordinária gerada em 2020, deve proporcionar impulso ao consumo e à atividade econômica.

Do ponto de vista local, a economia já mostrava sinais de resiliência maior do que o esperado, de acordo com os dados disponíveis dos primeiros meses do ano, o que justifica a alocação em empresas ligadas ao consumo cíclico. Do ponto de vista internacional, serve de base para as nossas alocações em empresas de commodities, cujos preços continuam a se apreciar. Como a liquidez global ainda é muito alta e não parece que os estímulos fiscais irão cessar, inclusive nos EUA, onde estão sendo propostos diversos pacotes de incentivo, essa tendência de alta das commodities deve continuar. No cenário de riscos, continuamos a observar atentamente a evolução da inflação nos países desenvolvidos, o que pode reverter o fluxo de liquidez e aumentar as taxas de juros.

Completam nossa carteira, além de algumas teses de valor, as teses estruturais, como as ligadas a tecnologia e ao financial deepening, e como Hapvida, que retorna ao nosso portfólio após a recente queda em seu preço, o que nos parece uma oportunidade. A empresa, que além de apresentar ótima gestão, diferenciais competitivos e atuar em um mercado em crescimento e consolidação, deve colher diversos benefícios operacionais e fiscais em sua fusão com a Intermédica.

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