Março 2021 – Carta Crédito Privado

07/04/2021

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Os Mercados de Crédito Privado e Juros

A incerteza fiscal manteve-se presente ao longo do mês de março. A aprovação da PEC Emergencial, desidratada pelo Congresso, não trouxe o alívio que o mercado esperava. A proposta orçamentaria aprovada na Câmara e Senado, foi alterada com diversas emendas parlamentares, provocando novos ruídos políticos e colocando o país à beira do precipício. A definição sobre a LDO deverá ocorrer somente em abril, provocando ainda mais volatilidade nos juros e pressão na ponta longa da curva. Mantemos como cenário base o ajuste no orçamento e manutenção do teto dos gastos. Vale destacar que o ritmo da vacinação e a imunização da população são fundamentais para a conservação desse cenário.

A inflação, mesmo que temporária, vem sendo revisada para cima pelo mercado e gerando maior preocupação ao Banco Central. A desvalorização cambial, associado ao risco fiscal, e o aumento do preço das commodities, impôs ao COPOM, a necessidade de uma política de normalização dos juros. Dito isso, na última reunião do COPOM, deu-se início ao ciclo de alta da SELIC, provavelmente indo na direção dos juros neutros, que atualmente gira em torno de 6% a.a. Com isso, mudamos nossas expectativas da SELIC para o final do ano de 3,75% a.a. para 5% a.a. A alta dos juros poderá trazer uma dinâmica positiva para a renda fixa.

No mercado primário de dívida corporativa, em março foram mais de R$10 bilhões em debêntures, todas por meio da ICVM 476, com destaque para a emissão de R$1 bilhão de Ômega Geração. No mercado secundário, o volume transacionado foi de aproximadamente R$20 bilhões, acima do observado nos últimos meses. De forma geral observamos fechamento dos spreads, tanto dos ativos indexados ao CDI quanto das debêntures de infraestrutura atreladas ao IPCA.

O agregado do primeiro trimestre de 2021 nos mostra um volume de emissões de debêntures de mais de R$25 bilhões, reflexo de um início de ano com pipeline robusto. Já vimos também impactos de marcos regulatórios no volume captado pelas empresas, o que deverá impulsionar o mercado de dívida ao longo do ano. As novas emissões estão encontrando demanda por parte dos investidores institucionais e movimentando também o estoque de títulos no mercado secundário.

 

BUTIÁ TOP CRÉDITO PRIVADO FIC FIRF

Em março, o fundo apresentou rentabilidade de -0,02%. Nos últimos 12 meses, o fundo acumula retorno de +2,68% (120,47% do CDI). No mês, tivemos marcação a mercado das debêntures de Restoque (LLISB1), fruto exclusivamente de negociações ocorridas no mercado secundário.

A Restoque, dona de marcas conhecidas do segmento de vestuário “premium”, concluiu seu plano de recuperação extrajudicial em março com a emissão de uma nova debênture que substituiu todo seu passivo financeiro e trouxe um alívio para o fluxo de caixa da companhia. Diante de um cenário desafiador para o segmento de vestuário causado pela pandemia da Covid-19, a companhia divulgou resultados do 4º trimestre de 2020 no último mês, em linha com as projeções por ela divulgadas em maio de 2020, com crescimento relevante no segmento de vendas online, estabelecimento de parcerias importantes e crescimento, ainda que tímido, em seu faturamento.

O Butiá TOP encerrou o mês com carrego bruto de CDI +1,49%, e a duration de 2,96 anos. Rotacionamos aproximadamente 5% da carteira no mercado secundário e alocamos recursos no mercado primário nas debêntures de Corsan e Ômega Geração.

 

BUTIÁ TOP ICATU SEG PREVIDÊNCIA FIRF CP

Em março, o fundo apresentou rentabilidade de +0,27% (137,73% do CDI). Nos últimos 12 meses o fundo acumula retorno de +5,86% (263,18%).

Ao final do mês, o carrego bruto foi de CDI +1,57% e a duration de 2,58 anos. As debêntures de Corsan e Ômega geração foram adquiridas no mercado primário em março.

 

BUTIÁ DEBÊNTURES FUNDO INCENTIVADO INFRAESTRUTURA RF LP

Em março, o fundo apresentou rentabilidade de +0,20%. Nos últimos 12 meses o fundo acumula retorno de +11,97(1), 5,42% acima do IPCA(²). Ressaltamos que a estratégia é isenta de imposto de renda, sendo o retorno líquido para o investidor.

Em março, a rentabilidade do fundo foi impactada positivamente principalmente pelo fechamento dos spreads de crédito e pelo carrego do IPCA, que deve vir próximo a 1,0%. O yield da carteira encerrou o mês em 3,90%, o que representa um prêmio de 0,37% sobre a ETTJ (Estrutura a Termo de Taxas de Juros de mesma duration da carteira).

(¹): Títulos com remuneração baseada em índices de preço, como IPCA, podem ter o valor financeiro alterado retroativamente, devido à substituição da variação projetada do índice pela variação oficial. Foi utilizado o IPCA prévio divulgado pela ANBIMA para o mês de 01/2021

(²): Para março, consideramos a projeção ANBIMA divulgada em 26/03/2021.

 

Empresas & Setores

Setor de Saneamento

Já vimos em março o impacto das novas medidas de regulamento do saneamento no mercado de dívida corporativa. Sancionado em julho de 2020, o novo marco regulatório determina uma série de medidas que as companhias de água e esgoto devem cumprir, o que deverá demandar investimentos relevantes no setor. Neste mês vieram a mercado, pela primeira vez, a Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN) e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), captando R$600 milhões e R$775 milhões, respectivamente, tanto por meio de debêntures institucionais indexadas ao CDI quanto por séries amparadas pela lei 12.431, indexadas ao IPCA (Debêntures Incentivadas).

Outra novidade é o leilão da CEDAE, empresa responsável pelo saneamento no Estado do Rio de Janeiro, previsto para o final de abril e com expectativa de investimentos superiores a R$30 bilhões.

Leilões de Infraestrutura

Está previsto para a primeira semana de abril um pipeline de leilões de 28 projetos de infraestrutura pertencentes a diversos setores da economia brasileira. Serão leiloadas 22 concessões de aeroportos, 5 portos e uma concessão ferroviária (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). São estimados investimentos acima de R$10 bilhões de reais e espera-se uma grande participação de players locais como CCR, Simpar (CS Brasil) e Santos Brasil, emissores que já são bastante conhecidos no mercado de dívida corporativa.

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