Novembro 2021 – Carta Crédito Privado

07/12/2021

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O Mercado de Crédito Privado

Novembro apresentou forte volatidade em seus primeiros dias, apresentando comportamento negativo para os mercados no geral, com todas as classes de ativos atingidas desde o final do mês anterior, inclusive a Renda Fixa, como havíamos destacado. Na última semana, porém, a tramitação da PEC dos Precatórios e o posicionamento mais recente do Banco Central, por uma política monetária menos restritiva do que o mercado já precificava, impactaram o mercado de juros, que cedeu nos vértices intermediários e na parte mais longa da curva de juros. Os títulos prefixados com vencimento entre 2024 e 2031 voltam a ser negociados abaixo de 12% a.a.. Contudo, a manutenção das incertezas relacionadas aos fatores domésticos não altera sensivelmente a percepção de que a situação fiscal permanece fragilizada. Adicionando ao cenário as mais presentes discussões sobre disputa eleitoral, que deve seguir polarizada, é esperado que se mantenha alguma volatilidade no curto prazo.

De acordo com o Boletim Focus divulgado na última semana de novembro, as expectativas de mercado para inflação, Selic e PIB foram reavaliadas em relação à semana anterior. A Inflação IPCA deste ano subiu de +10,12% para +10,15% e passou de +4,96% para +5,00% para o próximo ano. A Selic estimada para este ano é de 9,25% e de 11,25% para 2022, e o PIB para 2022 foi reduzido de +0,70% para +0,58%.

Na Butiá, atualizamos as premissas e agora nosso cenário modal mantém a taxa Selic 9,25% ao final de 2021, mas chega a 11,75% em março de 2022, convergindo para as tendências do Focus.                 Esta atualização foi reforçada pelas mudanças de cenário de juros nos Estados Unidos. As expectativas estão sendo revistas para uma antecipação do aumento dos juros por lá, e declarações já no final do mês do Presidente e de diretores do FED vão na direção de uma aceleração da retirada dos estímulos.

Mesmo com o avanço da vacinação e flexibilização de circulação, a pressão inflacionária até o final de 2022 reforça os indícios de redução sensível do nível de atividade no próximo ano.

Nos últimos dias tivemos um novo avanço na vertente da pandemia, com aumento acelerado de casos na Europa e a descoberta de uma cepa mais transmissível da Covid-19, a Ômicron. Ainda sem informações precisas sobre a eficácia das vacinas sobre a variante, o evento alarma ainda mais o investidor, que busca se afastar dos ativos de risco e mira em portfólios mais seguros. No mercado brasileiro, a renda fixa é a classe mais representativa da indústria de gestão de recursos.

Nossa gestão se mantém conservadora na seleção dos créditos com base em fundamentos sólidos. Estamos ativos na rotação da nossa carteira, buscando o melhor balanceamento de risco e retorno, mantendo a cautela na alocação em emissões que tenham um prêmio adequado ao risco ao mesmo tempo que seguiremos conservadores também na extensão da duration do nosso portfólio.

Os dados da CVM mostram que as empresas brasileiras mantiveram o nível de captação nos meses anteriores e devem superar R$20 bilhões em emissões primárias em novembro de 2021. Entre os destaques do mercado primário de debêntures, o Hospital Mater Dei, empresa mineira, captou R$700 milhões em sua primeira emissão, após a realização do seu IPO em 2021. A empresa é classificada como AA (Fitch) e está em franco crescimento. No mercado primário, os spreads de crédito dos ativos indexados ao CDI não apresentaram movimento significativo ao longo do mês de novembro. Já no secundário, observamos uma pressão vendedora em grande parte dos ativos, o que provocou uma abertura marginal de alguns spreads. Nos títulos em IPCA, parte dos ativos se manteve estável, enquanto outra parte apresentou um fechamento marginal. Destaque para o aumento da representatividade do mercado de debêntures incentivadas, que acumula em 2021 seu recorde de emissões, ocupando importante papel no financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil.

BUTIÁ TOP CRÉDITO PRIVADO FIC FIRF

Em novembro, o Butiá TOP apresentou rentabilidade de +0,65 (110,45% do CDI). Nos últimos 12 meses, o fundo acumula retorno de 4,58% (120,79 do CDI). O carrego bruto no final do mês foi de CDI + 1,78%, e a duration de 2,05 anos.

O mês de novembro foi mais um mês de consistentes resultados no Butiá TOP. Rotacionamos nossa carteira, reduzindo, posições que tinham carrego inferior ao do portfólio e que não possuíam perspectivas de novos fechamentos de taxas.

Além da aquisição no mercado Primário de Mater Dei, participamos também das emissões de CSN e Litoral Sul.  Continuamos enxergando um cenário positivo para Fidcs, com spreads bastante saudáveis e estruturas robustas, o que motivou a alocação na oferta primária do FIDC RED SN13.

BUTIÁ TOP ICATU SEG PREVIDÊNCIA FIRF CP

Em novembro, o Butiá TOP Icatu apresentou rentabilidade de +0,59% (99,76% do CDI). Nos últimos 12 meses, o fundo acumula retorno de +5,56% (146,59% do CDI). Ao final do mês, o carrego bruto foi de CDI +1,91% e a duration de 2,90 anos.

No mês, fomos bem ativos nas movimentações do portfólio, participando de emissões primárias, aumento de posições já alocadas e acrescentando novos nomes por meio do mercado secundário. Dado ao fluxo vendedor no mercado, conseguimos alocar em emissões curtas de empresas sólidas e com bons carregos. Grande parte das operações foram feitas a uma taxa acima da marcação, reforçando o carrego do fundo em sua estratégia de investimento de longo prazo. Também aproveitamos a forte volta das taxas das letras financeiras para alocarmos pontualmente em uma LFSC do Itaú. Além disso, rebalanceamos as posições dos fidcs Verdecard e Sifra Plus.

BUTIÁ PLUS FIRF CRÉDITO PRIVADO FIC FIRF LP

Completando o seu oitavo mês de operação, trazemos o resultado do Butiá PLUS. O Fundo apresentou rentabilidade de +0,75% (128,04% do CDI). Desde o seu início*, o fundo acumula retorno de +4,25% (137,16% do CDI). Ao final do mês, o carrego bruto foi de CDI +2,32% e a duration de 2,37 anos.

Fizemos alguns ajustes pontuais no portfólio, sem grandes mudanças. Reduzimos ativos que passaram a apresentar spread comprimido para a estratégia do fundo. Rotacionamos parte de nossa exposição a ativos financeiros, saindo do crédito bancário de Caixa e alocando em BTG, resultando em um melhor carrego.

*Início do fundo: 01/04/2021

BUTIÁ DEBÊNTURES FUNDO INCENTIVADO INFRAESTRUTURA RF LP

Em novembro, o Butiá Debêntures Fundo Incentivado apresentou rentabilidade de 3,12%. Nos últimos 12 meses, acumula retorno de +7,98% (1) Ressaltamos que a estratégia é isenta de imposto de renda, sendo assim, o retorno é líquido para o investidor. Fazendo a equivalência com gross up(2)  de 15% de IR para pessoa física, o fundo acumula retorno de 9,38% em 12 meses. O yield da carteira encerrou o mês em 5,44%, o que representa um prêmio de 0,35% sobre a ETTJ (Estrutura a Termo de Taxas de Juros de mesma duration da carteira).

Tivemos uma excelente performance durante o mês de novembro dada à continua rotação dos papéis que compõem o portfólio, além do forte recuo do juros real e assertiva decisão de concentrar parte significativa do caixa em NTN-B 26.

Os volumes de emissões primárias para ativos da classe seguem aquecidos, o que gerou oportunidade para alocarmos nas emissões de Copel e Litoral Sul, com ambas apresentando uma boa taxa, ainda mais se considerarmos os já elevados níveis de juros reais. Além disso, estamos analisando duas emissões que irão liquidar no próximo mês, com um pipe bastante robusto para o final do ano.

Seguimos com o processo de vendermos ativos com spread inferior ao portfólio consolidado, o que resultou na venda de COELCE e Energisa. Em contrapartida, conseguimos encontrar no mercado secundário boas oportunidades de ativos com ótimos spreads e preços atraentes, o que resultou no aumento da alocação em Corsan, CCR e Lojas Americanas.

(1)Títulos com remuneração baseada em índices de preço, como IPCA, podem ter o valor financeiro alterado retroativamente, devido à substituição da variação projetada do índice pela variação oficial.

(2)O Gross Up tem o intuito de mostrar ao investidor quanto seria o retorno bruto caso houvesse incidência de Imposto de Renda. Nesta carta, consideramos 15%.

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