Novembro 2021 – Carta Multimercado e Ações

07/12/2021

Escute a Carta Comentada de Ações

Escute a Carta Comentada de Multimercado

Com dados mais fortes em atividade, inflação nos Estados Unidos e ceticismo quanto à atividade brasileira à frente, o mês de novembro seguiu a tônica do segundo semestre e apresentou bastante volatilidade. O Real conseguiu se segurar (Dólar-PTAX -0,41%) e houve melhora na renda fixa, tanto nos títulos pré-fixados quanto nos indexados à inflação, tendo o IRF-M se valorizado 1,79% e o IMA-B 3,47%. Por outro lado, o Ibovespa voltou a apresentar desvalorização (-1,53%) e dessa vez acompanhada de queda também na bolsa americana (S&P500 -0,83%).

Cenário Econômico

No cenário internacional, o mês de novembro fica marcado por dados de recuperação na atividade chinesa, dados robustos de atividade nos Estados Unidos e a consequente mudança de entendimento do mercado e do próprio banco central americano em relação ao ritmo do ajuste a ser feito. Ainda, a Ômicron, nova variante da Covid, vinda da África do Sul, gerou volatilidade no final do mês.

Nos Estados Unidos, os dados de inflação vieram acima do esperado e alimentaram o receio de que o choque não seja apenas temporário. Assim como no mês anterior, a subida no custo dos aluguéis foi acelerada, a parte de serviços mostra sinais de uma demanda bastante aquecida em um cenário no qual choques de oferta ainda são visíveis, em especial no setor automobilístico. Somado a isso, dados fortes de vendas no varejo e da produção industrial colocaram peso ao tom mais acomodatício que vinha sendo adotado pelo FED. Desta forma, observamos uma mudança de tom da autoridade monetária em relação ao aumento de preços já na segunda metade do mês e agora é esperado que o tapering seja acelerado e uma provável alta da taxa de juros por lá já faça parte do cenário de 2022.

Pelo lado chinês, após constantes notícias adversas vindo do setor imobiliário nos últimos meses, a situação parece mais calma. A produção industrial cresceu 3,5% nos últimos 12 meses (número acima do consenso) e as vendas no varejo voltaram a mostrar crescimento. Já na virada do mês, os índices de gerentes de compras (PMIs) surpreenderam e mostraram que tanto o setor de serviços quanto o de manufaturas seguiram em expansão durante o mês de novembro.

No Brasil, o IPCA referente a outubro foi divulgado e voltou a surpreender para cima. A leitura de 1,25% preocupou e a composição indica pressões vindas da desvalorização da moeda, da reabertura da economia, além de choques em outros itens. A reabertura também é sentida na PMS, divulgada pelo IBGE. Os serviços prestados às famílias, como restaurantes e hotéis, tiveram aceleração da atividade, enquanto os serviços prestados às empresas desapontaram, indicando arrefecimento da recuperação econômica. Estes sinais são sentidos nos indicadores de confiança, que já mostram queda, seja no setor industrial, nos serviços ou nas famílias.

Após o dado de inflação divulgado e a perspectiva de aceleração no ritmo de alta de juros nos Estados Unidos, voltamos a revisar o nosso cenário para a Taxa Selic. Neste contexto ainda mais desafiador, o Copom deve caminhar mais perto do nosso antigo cenário alternativo, que engloba duas altas de 150p.b. e uma última de 100p.b., finalizando o ciclo em 11,75%a.a. na reunião de março.

Palavra do Gestor

MULTIMERCADO MACRO 

Em novembro, o Butiá Excellence FIC FIM obteve retorno de +0,34%, enquanto o Butiá Excellence Previdência FIC FIM apresentou retorno de +0,63%. O resultado foi impactado principalmente por ganhos nos livros de renda fixa, com posição aplicada na parte curta da curva nominal, na parte intermediária da curva real e vendido em inflação implícita na parte longa da curva. Os resultados foram afetados negativamente pela nossa posição comprada em bolsa local e em menor escala na parte comprada em renda variável internacional, além de posição tomada na taxa longa americana.

Continuamos a observar volatilidade em novembro e acabamos por nos beneficiar das movimentações realizadas ao longo do mês anterior. A maior mudança em nossa percepção do lado externo ocorreu na perspectiva de menor grau de estímulo na economia americana, com a aceleração do tapering combinado à um possível cenário de aumento de juros por lá já em 2022, enquanto do lado brasileiro a maior mudança foi uma revisão para baixo da atividade em 2022 e uma inflação que deve seguir pressionando até o início do ano.

Diante deste cenário, mantivemos as posições que havíamos entrado no mês e buscamos alocações pontuais no livro de renda fixa, mantendo o perfil da carteira.

 

AÇÕES

BUTIÁ FUNDAMENTAL (LONG ONLY e LONG BIASED):

Tivemos mais um mês desafiador em novembro, ainda sob os efeitos da piora do cenário econômico e aumento dos riscos fiscais. Apesar de mais algumas notícias ruins relacionadas à Covid, a queda foi mais amena em relação aos meses anteriores, o que pode demonstrar algum nível de acomodação ou um nível de preços que já embute um valuation bem descontado em vista do cenário e das possibilidades futuras.  O Ibovespa caiu mais 1,5%, acumulando 14,4% de queda no ano. O Butiá Fundamental FIC FIA caiu 2,5% no mês e 21,1% no ano. Já o Butiá Fundamental Long Biased FIC FIM, caiu 2,2% no mês, e 24,5% no ano.

O cenário não sofreu grandes alterações. Ainda aguardamos a definição e votação da PEC dos precatórios para podermos avaliar qual a capacidade de ancoragem para a situação fiscal brasileira ela será capaz de gerar. Paralelo a isso, as expectativas para a inflação, os juros e a economia em 2022 continuam negativas. Tivemos alguma alteração com relação à eleição presidencial, já que Moro oficializou sua candidatura, o PSDB definiu seu candidato, João Doria, nas prévias do partido, e Lula e Alckmin começaram a conversar sobre a possibilidade do segundo ser vice do primeiro. Apesar de Moro aparecer como principal candidato da terceira via e a união entre Lula e Alckmin ser uma boa sinalização em direção ao centro por parte do candidato do PT, esses fatos não parecem ter influenciado o mercado, que ainda tem muitas dúvidas sobres os programas de governo dos dois concorrentes com maior chance de vitória, Lula e Bolsonaro.

As novidades negativas têm relação com a pandemia — uma nova variante detectada na África do Sul, denominada como Ômicron, tem se espalhado para outros países e vem assustando os mercados por ser mais contagiosa e por não se saber ainda qual a eficácia das vacinas contra ela. As informações ainda são muito preliminares, mas a incerteza tem levado alguns países a fechar suas fronteiras, principalmente os países europeus, que ainda têm sofrido com o aumento de casos e mortes das variantes anteriores. Esse evento levou os ativos de risco por volta do mundo a sofrerem desvalorização, além de levar a uma redução dos juros globais como efeito secundário do potencial de desaceleração econômica, que em conjunto com as restrições às viagens entre países, pode gerar redução nos preços do petróleo e na inflação no curto prazo.

As empresas mais dependentes da economia e mais sensíveis aos juros continuam sofrendo mais do que as empresas defensivas e as exportadoras. A situação das empresas de menor capitalização é ainda mais sensível, pois os fundos de investimento que as detém vêm sofrendo resgates, o que, em um ciclo vicioso, pressiona ainda mais as cotações destas empresas de menor liquidez. Esses resgates podem continuar a impactar a cotação destas empresas conforme mais pessoas abandonam a alocação em bolsa, que, por sua vez, vem apresentando rentabilidade insatisfatória, em troca de aplicações em renda fixa pós-fixados, que se beneficiam dos juros altos, perpetuando a espiral negativa. Esse cenário acaba distorcendo alguns preços, criando, para investidores de longo prazo, capazes de suportar a volatilidade e potenciais perdas de curto prazo, oportunidades de compra destas empresas por valores muito interessantes.

Os principais fatores do cenário de risco continuam contemplando a deterioração do arcabouço fiscal, a persistência da inflação local e global e o desaquecimento da economia chinesa. Agora, damos também mais ênfase aos riscos relativos à persistência da Covid na Europa e às ameaças da nova variante do vírus. Existem riscos para o lado positivo também, a aprovação da PEC dos precatórios sem surpresas negativas pode até simbolizar um primeiro teste de resistência, no qual as circunstâncias de combinação da pandemia, a própria explosão dos precatórios, a trajetória da inflação e a eleição representam um enorme desafio à manutenção do teto, mas apesar de chacoalhado, ele talvez venha a se sustentar sem ser abandonado por completo. Uma reversão da inflação, que apresenta vários fatores conjunturais, também aliviaria os juros e as expectativas do mercado. Uma melhor perspectiva para as políticas econômicas dos candidatos à presidência, apesar de improvável no curto prazo, também pode servir de gatilho aos mercados.

Neste momento, nossa carteira é majoritariamente composta por uma combinação de alocação em empresas com dinâmica própria, cujo crescimento deve ser forte mesmo no caso de uma desaceleração da economia e cujas ações se encontram com valuations muito atraentes, alocação em empresas que atuam em setores defensivos, cuja demanda é resiliente, e alocação em empresas exportadoras, que dependem mais da economia global e do câmbio.  Vemos os preços em geral, descontados para um cenário normalizado e de longo prazo, especialmente para aquelas companhias voltadas ao crescimento e à economia interna, mas mantemos as demais posições defensivas para o caso de algum fator do cenário de risco se concretizar ou para caso a economia brasileira continue a deteriorar.

Download da Carta